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Jovem morre após passar mal na casa do namorado e amigos contestam suicídio
Rapaz de 21 anos alegou que a vítima ingeriu água com cocaína após discussão por ciúmes entre os dois
ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS

Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morreu após passar mal dentro de uma residência no Bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. O caso aconteceu na tarde de sexta-feira (6), durante uma discussão com o namorado, que alegou à polícia que a jovem teria atentado contra a própria vida. Os amigos contestam a versão.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da PM (Polícia Militar) e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas após a jovem sofrer convulsões dentro da casa do namorado, localizada na Rua Delegado Alfredo Hardman.
Quando os socorristas chegaram ao local, Ludmila estava desacordada e em estado grave, apresentando convulsões. Ela também tinha uma lesão abaixo do olho direito e cortes no pé esquerdo, que podem ter sido provocados durante as crises.
À polícia, o namorado relatou que os dois haviam discutido mais cedo, por ciúmes. Depois do desentendimento, ele disse ter visto a jovem misturar um pó branco em um copo com água e ingerir a substância, que ela teria afirmado ser cocaína. Pouco tempo depois, Ludmila começou a passar mal.
Ainda na versão do rapaz, a jovem teria tomado banho e, ao sair do banheiro, sofreu uma convulsão e bateu o rosto na porta do quarto. Em seguida, voltou a passar mal e chegou a expelir sangue pela boca enquanto aguardava a chegada do socorro. Ela foi levada para a Santa Casa onde acabou morrendo na manhã deste sábado (7).
Amigos contestam - A ocorrência foi inicialmente registrada como tentativa de suicídio, com base no relato apresentado à polícia. No entanto, amigos da jovem contestam essa versão e pedem que o caso seja investigado com mais profundidade. Eles afirmam que a jovem tinha medida protetiva e chegou a registrar boletim de ocorrência contra o rapaz.
'Ele chegou a ficar preso por causa de violência contra ela. Ela tinha medida protetiva. Era muito agressivo com ela', alegaram.
Ao Campo Grande News, pessoas próximas a Ludmila relataram que ela não apresentava comportamento que indicasse intenção de tirar a própria vida, levantando dúvidas sobre as circunstâncias da morte. Eles ainda afirmaram, pelo canal Direto das Ruas, que a jovem estava com um corte grande na cabeça.
“Ele falou que ela tomou água com cocaína. Tenho certeza que ela não faria isso, um amigo dele ligou e falou que ela tava passando mal. Ele disse que ela tava muito doida e que depois caiu da cama porque deu convulsão, mas eu tenho certeza que ela não fez isso. A cabeça dela estava aberta', disse uma das amigas da vítima.
“Ela morava só com a avó e a filha. A avó já é bem de idade, não sabemos se vai conseguir fazer algo por ela. Tinha uma energia tão boa, ajudava todo mundo, era uma ótima mãe e trabalhadora', afirmou outra amiga que prefere não se identificar.
Investigação - O caso foi encaminhado à Deam(Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que deve ouvir testemunhas e analisar os detalhes do ocorrido para esclarecer o que aconteceu dentro da residência. A polícia também apura se houve algum tipo de violência antes da jovem passar mal.
Caso a versão de feminicídio se confirme, este será o primeiro caso registrado na Capital este ano e o 6º em Mato Grosso do Sul.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.






